Páginas

domingo, 19 de outubro de 2025

‘Termostato supercarregado’ da Terra pode provocar uma correção exagerada das mudanças climáticas

A chave para as novas descobertas é como o fósforo se move da terra para o oceano, disseram os pesquisadores. (Crédito da imagem: Qiang Zhang / 500px/Getty Images)

‘Termostato supercarregado’ da Terra pode provocar uma correção exagerada das mudanças climáticas

Cientistas descobriram um mecanismo até agora pouco considerado — uma espécie de “termostato” oculto da Terra — que pode levar o nosso planeta a corrigir demais o aquecimento global. Essa descoberta tem implicações profundas para o futuro do clima terrestre.

O que os pesquisadores encontraram

  • Quando o nível de Dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera sobe, milhares de anos atrás a Terra respondia por meio de processos geológicos que removiam esse CO₂, ajudando a resfriar o planeta. (Live Science)

  • O mecanismo clássico já conhecido chama-se feedback do intemperismo de silicatos: chuva e CO₂ reagem com rochas contendo silicato, dissolvem minerais, que depois são transportados ao oceano e depositados como carbonato — retirando CO₂ da atmosfera. (Live Science)

  • A novidade é que os cientistas identificaram um segundo termostato, ligado ao ciclo do fósforo e à deposição de carbono orgânico nos sedimentos marinhos — um mecanismo muito mais rápido e “potente” para remover CO₂ da atmosfera. (Live Science)

Como esse “termostato oculto” funciona

  • Quando a Terra se aquece, mais rochas que contêm minerais de fósforo (como a apatita) são atacadas pelo intemperismo, liberando fósforo que vai para rios, entra no oceano e alimenta o crescimento do plâncton marinho. (Live Science)

  • O plâncton consome CO₂, morre, afunda e deposita carbono orgânico e fósforo no fundo do mar. Assim, muito CO₂ é removido da atmosfera e “sequestado”. (Live Science)

  • Esse mecanismo pode agir bem mais rápido do que o mecanismo de intemperismo de silicatos de longa duração — por isso o rótulo de “supercarregado”. (Live Science)

Por que isso é importante para o clima futuro

  • Se esse mecanismo estiver ativo, ele pode levar o planeta a “ultrapassar” a correção esperada — ou seja: em vez de adiar a próxima era glacial, pode até antecipá-la. (Live Science)

  • Mesmo com tanto CO₂ emitido por humanos, esse termostato adicional pode fazer com que os níveis de CO₂ voltem a valores mais baixos em muito menos tempo do que se pensava. (Live Science)

  • Porém — atenção — isso não significa que estamos a salvo das mudanças climáticas agora ou que o aquecimento já não importe. O mecanismo opera em escalas de milhares a centenas de milhares de anos. (Live Science)

O que essa descoberta muda

  • Modelos climáticos poderão precisar considerar esse segundo termostato para prever melhor quando e como ocorrem grandes mudanças climáticas de longo prazo.

  • Políticas de clima devem levar em conta que a Terra tem respostas naturais que podem amplificar ou mitigar os efeitos humanos — porém, essas respostas não são “rápidas o suficiente” para proteger o presente.

  • Esse estudo estimula a necessidade de mais pesquisas sobre como ciclos de fósforo, nutrientes oceânicos e sedimentos marinhos afetam o clima global.

Em resumo

A Terra pode ter um mecanismo oculto — um “termostato supercarregado” baseado no ciclo do fósforo e no sepultamento de carbono orgânico nos oceanos — que ajuda a retirar CO₂ da atmosfera muito mais rapidamente do que se pensava. Esse mecanismo pode influenciar o risco de eras glaciais e mudar nossa compreensão de como o clima terrestre responde a grandes perturbações. Mas, apesar dessa resposta natural, a ação humana sobre o clima ainda é crítica agora.



Micróbios antigos no permafrost acordam e emitem CO₂: o que isso significa para o clima

Pesquisadores reacenderam micróbios do permafrost que datam da última era glacial.
(Crédito da imagem: Tristan Caro)

Micróbios antigos no permafrost acordam e emitem CO₂:

O que isso significa para o clima?

Cientistas descobriram que microrganismos que estavam “congelados” no permafrost por milhares de anos podem entrar em atividade e liberar dióxido de carbono (CO₂) quando aquele solo gelado começa a descongelar. A pesquisa levanta alertas importantes para o aquecimento global e o futuro do nosso planeta.

O que é o permafrost

O permafrost é solo, rochas e gelo que permanecem congelados por pelo menos duas anos seguidas — muitas regiões árticas da Terra vivem com esse tipo de chão. Quando o permafrost descongela, o carbono armazenado nele tem o potencial de se tornar parte da atmosfera. (Live Science)

A descoberta: micróbios “acordando”

Pesquisadores coletaram amostras em um túnel de permafrost no Alasca — o Permafrost Research Tunnel, que se estende cerca de 107 metros dentro do solo congelado. (Live Science)
Eles incubaram essas amostras em laboratório em diferentes temperaturas (como –4 °C, +4 °C e –12 °C) para simular condições mais quentes de verão no Ártico. (Live Science)

Depois de alguns meses, micróbios que estavam inativos voltaram à vida — produziram biofilmes, cresceram e começaram a consumir carbono orgânico, liberando CO₂. (Live Science)

Por que isso importa para o aquecimento global

  • O Ártico está aquecendo mais rápido que o resto do planeta. (Live Science)

  • O permafrost retém aproximadamente o dobro de carbono que toda a atmosfera da Terra. (Live Science)

  • Quando esses micróbios ficam ativos, eles iniciam um ciclo de feedback: solo descongela → micróbios se ativam → mais CO₂ (e possivelmente metano) é liberado → mais aquecimento → mais permafrost descongelado.

  • Este é um dos grandes “pontos de interrogação” no impacto futuro das mudanças climáticas — ou seja, ainda existem muitas incertezas. (Live Science)

O que a pesquisa mostrou até agora

  • Cerca de 85% do território do Alasca está soblainhado por permafrost. (Live Science)

  • No experimento, após cerca de seis meses, as amostras que estavam a +4 °C ou –12 °C mostraram mudanças “dramáticas” na comunidade de micróbios e nível de atividade. (Live Science)

  • Porém — atenção — o estudo analisou micróbios de apenas uma localização. Os cientistas ressaltam que outras regiões de permafrost podem reagir de forma diferente. (Live Science)

Implicações práticas para o futuro

  • Se os verões árticos se tornarem mais longos e mais quentes, camadas mais profundas de permafrost podem descongelar — ativando micróbios “antigos”.

  • Isso significa que políticas climáticas precisam considerar esse tipo de fonte de carbono “latente”.

  • Monitoramento de regiões de permafrost e modelos climáticos mais refinados serão essenciais para entender o impacto total.

Em resumo

Micróbios que ficaram dormindo por milhares de anos no permafrost podem despertar com o aquecimento do solo congelado — e isso pode levar à liberação de grandes quantidades de CO₂.

Esse mecanismo adiciona uma camada extra de complexidade ao desafio das mudanças climáticas e reforça a urgência de entender melhor o permafrost global.

‘Termostato supercarregado’ da Terra pode provocar uma correção exagerada das mudanças climáticas

A chave para as novas descobertas é como o fósforo se move da terra para o oceano, disseram os pesquisadores.  (Crédito da imagem: Qiang Zha...